OPINIÃO

TESTEMUNHOS

Hugo Jesus

2025/10/11

Stephane Ariane

2025/11/03 


NUNO MENDONÇA 

28.Set.2025 

"Dormindo Entre Cadáveres", de Luís Moreira Gonçalves e Felipe Parucci, é uma novela gráfica dura e visceral que nos transporta diretamente para o epicentro da pandemia de Covid-19 na Amazónia. O relato do médico português Luís Moreira Gonçalves, que viveu meses de exaustão e desespero em plena crise, ganha ainda mais intensidade com a arte expressiva de Felipe Parucci, que recusa embelezar o horror e opta por traços sombrios e desconfortáveis, tão fiéis ao ambiente de colapso quanto à vulnerabilidade do protagonista. O livro impressiona pela coragem e pela autenticidade: não há floreados nem heroísmos artificiais, apenas a exposição crua de dúvidas, medos e perdas. A alternância entre texto e imagem cria um ritmo particular que dá ao leitor a sensação de estar dentro de um hospital em guerra invisível, onde cada silêncio pesa tanto quanto as palavras.

O que mais sobressai é a sua função de memória: no Brasil morreram cerca de 700 mil pessoas, e hoje parece que já esquecemos a violência dessa tragédia e as repercussões profundas que teve na vida de tantas famílias. Esta obra recorda-nos que não podemos normalizar nem apagar esse passado recente. Não é uma leitura leve, e em alguns momentos até se torna fragmentada, exigindo atenção redobrada. Mas é precisamente esse desconforto que faz da obra um testemunho poderoso, simultaneamente pessoal e universal, sobre o que significa resistir quando tudo à volta parece ruir. Mais do que um livro, é um exercício de memória e de responsabilidade coletiva.

FRANCISCA PEREIRA

17.Out.2025

As novelas gráficas sempre tiveram um enorme poder sobre mim. Sinto-as mais reais, mais próximas do leitor e mais genuínas.

Passei imensas vezes por este livro e sempre tive curiosidade para o ler. Até que o li. Lancei-me a ele sem saber o que estaria por vir e foi arrebatador.

Um relato duro e realista do que foi a pandemia Covid-19 numa região do Brasil. Para muitos, esta pandemia já foi esquecida. Para mim, é inconcebível esquecer-me de algo que dizimou milhares de pessoas no mundo.

Esta história é um retrato de alguém que enfrentou a pandemia para ajudar os infetados. Alguém que esteve na linha da frente mesmo não sabendo muito bem como ajudar. Alguém que se sacrificou para salvar o máximo de pessoas que conseguia.

Está aqui reunido um trabalho incrível. Do texto às ilustrações. Da história à realidade. De Portugal ao Brasil. Foi uma viagem impactante.

É um livro duro mas que deve ser relembrado sempre. Pelo que foi a pandemia, pelo que ela roubou a milhares de famílias e pela empatia que é transmitida, neste livro, como exemplo.

BRUNO RAMINHOS 

27.Out.2025

Em "Dormindo entre Cadáveres", Luís Moreira Gonçalves decidiu contar a sua experiência durante a pandemia de Covid-19 através de uma novela gráfica em parceria com o ilustrador Felipe Parucci.

Esta história recorda-nos como os profissionais de saúde, médicos, enfermeiros e auxiliares, foram os verdadeiros heróis de primeira linha, lutando contra uma guerra sanitária numa das zonas mais afetadas do Brasil, em plena Amazónia, no estado de Rondônia.

Quase me tinha esquecido do que foram aqueles tempos de medo, incerteza e exaustão. Esta novela gráfica trouxe tudo isso de volta. Entre o realismo do texto e a intensidade das ilustrações, sentimos as emoções do médico português e percebemos o quanto este período foi duro e marcante.

Vale a pena esta leitura! É intensa mas necessária. Fez-me lembrar o que significou resistir quando o mundo parecia parar.

CÉLIA AZEVEDO SOARES

30.Out.2025

A apresentação de "Dormindo entre Cadáveres", de Luís Gonçalves, na Fundação Casa Hermes – evento em que estive como representante da Universidade de Aveiro – foi uma escavação necessária, embora inquietante, da história recente. Luis começou com uma anedota pessoal impressionante: seu bisavô lutou na Primeira Guerra Mundial, mas a família não retém histórias, nenhuma conexão visceral com aquele conflito histórico. Esse silêncio familiar serve como um enquadramento comovente para a sua própria guerra - uma campanha cansativa e íntima travada contra o COVID-19 nos confins remotos do Brasil.

As suas memórias são um acto deliberado de resistência contra a amnésia histórica. Em menos de um ano, Luis supervisionou o atendimento de mais de 400 pacientes falecidos, um número impressionante e estatisticamente aberrante que ressalta a intensidade brutal da crise do COVID-19 naquela região. No entanto, no nosso momento actual de dissociação coletiva, esse período já parece abstracto, como se o trauma tivesse sido terceirizado para o livro distante de outra pessoa.

A passagem mais visceralmente ressonante de que ele se lembrava centrava-se nos testamentos finais e digitalizados dos seus pacientes. Enfrentando um procedimento de intubação com uma probabilidade de sobrevivência abaixo de 20%, muitos gravariam uma mensagem de voz nos seus telefones para a sua família. O que é considerado essencial à sombra da morte certa? Sem surpresa, o livro-razão profissional - o trabalho, a carreira - desapareceu completamente dessas despedidas. Em vez disso, as palavras finais foram esmagadoramente dedicadas ao futuro dos sobreviventes: desejos de vida contínua, continuidade e amor. Ocasionalmente, um pin ou senha necessária era sussurrado - a ponte prática entre o fim de uma vida e uma vida que deve continuar.

Isso é mais do que o relato de um médico; é um documento sociológico profundo. É uma compra necessária, uma leitura vital e uma âncora essencial para as gerações futuras que lutam para compreender a profundidade de uma crise que a nossa consciência contemporânea parece ter a intenção de esquecer. Este livro é um registo contra a dissociação adicional da experiência humana essencial."

ZÉ LEU

02.Nov.2025

Não foi há muito tempo que estávamos a viver uma época sem precedentes. Fechados em casa, pessoas a tombar em todo o planeta, máscaras no rosto e álcool gel a ser mais usado do que água. E apesar de não ter sido há muito tempo, parece que nos esquecemos rapidamente de tudo: das pessoas que morreram, dos familiares que sofreram, das pessoas que ficaram com doenças prolongadas, dos profissionais de saúde, das forças de segurança… e muito sobretudo… do que éramos enquanto seres-humanos empáticos.

Tudo mudou.

Tudo mudou mas ao mesmo tempo tudo ficou igual, às vezes penso o que seria de uma nova pandemia com o estado actual da Assembleia, e o que me vem à cabeça é um verdadeiro filme de terror. Com um SNS em destruição e um parlamento quebrado por deputados anti-verdade?

Entretanto foram surgindo relatos e obras que retrataram a Pandemia, cada um à sua maneira. Com a sua vivência.

Brasil sofreu de uma forma especial, tinha um lunático à frente do seu destino e morreram mais de 700 mil pessoas, o que parece ser um número que pouco diz às pessoas.

Esta Novela Gráfica conta a história de um médico que nunca tinha exercido, portanto sem experiência de terreno e que decide ir ajudar um hospital de campanha na Amazónia. Teve de trabalhar com duras condições, sem material médico conveniente, sob um clima adverso e condições precárias. Teve de aprender a viver com a morte, com o despedimento (de onde estava anteriormente), com a solidão e com o "novo normal".

Este é um livro que junta o talento de Felipe Parucci ao relato de Luís Moreira Gonçalves, o que resulta numa Novela Gráfica muito bem conseguida, com sequências das histórias que se tornam perfeitas. A ilustração, é muito bem conseguida, apelativa e que retrata muito bem os acontecimentos relatados. É um reviver da Pandemia.

Não sei o que a vida nos reserva, mas sei que um dia as minhas filhas vão ler este livro e perguntar se foi mesmo verdade.

ADRIANA HENRIQUES

05.Nov.2025

Assisti hoje, na Escola de Medicina (U.Minho), à apresentação do livro "Dormindo entre Cadáveres" de Luís Moreira Gonçalves, médico português, com ilustrações do brasileiro Felipe Parucci.

Uma obra profundamente humana, onde o real e o sonho coexistem num mesmo cenário — denso, febril, de uma beleza inquietante. A Amazónia, em plena pandemia, torna-se o palco onde o oxigénio escasseia e a humanidade se revela no limite.

Enquanto artista plástica e docente nesta escola, reconheço na arte uma ferramenta vital — um modo de compreender o humano através da forma, da linha, do contraste. Nesta banda desenhada, a expressão da linha traduz o pulso e a fragilidade da vida; o contraste tonal desenha o limiar entre a sombra e a luz, entre o desespero e a esperança.

Dormindo entre Cadáveres é mais do que um livro — é um corpo visual que respira.

Entre o real e o delírio, a arte surge como um território de resistência, onde ainda é possível sonhar… e criar.

AVELINO ROSA 

19.Nov.2025

Na tarde de sexta-feira passada recebi o livro "Dormindo entre Cadáveres", de dois autores. O texto é de Luís Moreira Gonçalves, médico e protagonista da história, e os desenhos de Felipe Parucci.

Esperava um livro normal, mais um. Mas, quando o abri, confesso, que fiquei estupefacto. Porque adoro banda desenhada e o tema, baseado em factos reais, é particularmente bem conseguido. E fiquei agarrado, lendo o livro em poucas horas. A história é espantosa e quase inacreditável, sobretudo a esta distância temporal. No fundo todos fizemos, uns mais do que outros, parte dela – a pandemia do COVID. Mas pouco sabemos o que se passou dentro dos Hospitais e como afetou os médicos e todos os engajados no combate à doença que, do quase nada, matou cerca de quinze milhões de pessoas no Mundo.

Mas, o "Dormindo entre Cadáveres" passa-se em Porto Velho, Rondônia, Amazónia, Brasil, dando a conhecer, neste caso, uma realidade ainda mais intensa. Apesar das inúmeras mortes e da exaustão do pessoal médico, num autêntico inferno, um ou outro apontamento obriga-nos a um sorriso por um fio de humor que atravessa as labaredas.

Este é um daqueles livros que vale a pena ler, recordando e sabendo que houve muitos heróis anónimos que, mesmo com parcos recursos, salvaram muitas vidas.

INÊS 

24.Nov.2025

Em média, são publicados 42 livros, por dia, em Portugal. É completamente insano e impossível de acompanhar. Mas, este foi um daqueles lançamentos que não quis deixar passar.

Tenho andado a ouvir palestras de epidemiologistas e todos estão de acordo que foi preciso o COVID para os governos acordarem para algo que se previa há anos - pandemias que se propagam antes de as conseguirmos parar porque, hoje em dia, em apenas 8 horas chegamos de um lado do mundo ao outro - mas, apesar disso, continuamos mal preparados para as que virão no futuro e que podem ser bem piores...

Mas bom, esta novela gráfica conta a história de um médico português (Luís Moreira Gonçalves) que esteve na Amazónia em plena pandemia, quando o mundo abandonou estas pessoas à sua sorte e as deixou sem medicamentos e sem oxigénio, a morrer. É demasiado grave para não ser contado.

É uma história intensa e, por vezes, surpreendentemente divertida e que vale muito a pena.


INÊS OLIVEIRA 

25.Nov.2025

"Dormindo entre Cadáveres" de Luís Moreira Gonçalves é uma novela gráfica intensa e crua que relata a experiência de um médico português no pico da pandemia de COVID-19 na Amazónia. 

A narrativa acompanha Luís, na altura com pouca experiência, pois era professor na Universidade de São Paulo, no Brasil, que se voluntariou para a linha da frente no combate ao vírus. Luís vai parar a um hospital de campanha montado em Rondônia, na Amazónia, uma região isolada e negligenciada politicamente. 

Este jovem médico vê-se obrigado a crescer emocionalmente para continuar a ajudar quem ainda tem hipóteses de ser salvo, num sistema de saúde que enfrenta o colapso: muitos casos diários, dezenas de mortes por dia, constantes faltas de material, familiares completamente desesperados à porta do hospital à espera de uma notícia sobre os seus entes queridos.

 Uma novela gráfica muito boa! O testemunho do autor destaca-se pela honestidade e pela crueza com que nos mostra o cenário caótico e desesperante deste episódio da história mundial. Fiquei chocada com dois relatos que o autor partilhou: um sobre o que as pessoas fazem em situações limite de vida ou morte e outro sobre o que as pessoas fazem para extorquir dinheiro a pessoas desesperadas. Efetivamente na guerra, vale tudo e não tenho dúvidas que a pandemia foi uma guerra. 

A arte de Felipe Parucci combina muito bem com a narrativa, reforçando o drama e a sensação de desespero vividos naquele hospital. Toda a obra é marcada por um constante ambiente caótico, com constante falta de materiais médicos e medicamentos, além do nível elevado de exaustão do pessoal devido ao trabalho contínuo de dezenas de horas, sempre envoltos numa atmosfera de medo e incerteza.

Esta novela gráfica é uma leitura marcante, necessária para que não nos esqueçamos do que aconteceu.

Ao médico Luís Moreira Gonçalves: não tenha dúvidas que o seu trabalho foi deveras importante! Bem-haja!


Ontem li "Dormindo Entre Cadáveres" de uma vez só — mais de 300 páginas que passaram quase sem que eu percebesse. É o tipo de leitura que te prende pela urgência do que está sendo contado. 

Falar da importância temática da obra é chover no molhado: Trata-se de um relato real: um médico recém-formado, sem experiência prática, aceita trabalhar como plantonista em um hospital de campanha durante o pior momento da pandemia de Covid-19. O quadrinho reconstrói, com honestidade e precisão, o caos, o medo e a exaustão de quem viveu aquela linha de frente. É uma obra dura, muitas vezes desconcertante, mas também marcada por pequenos instantes de humanidade e alívio, como se a vida insistisse em encontrar brechas mesmo nos piores cenários. 

O que mais me impressionou foi a fluidez da narrativa. O ritmo é envolvente e o equilíbrio entre texto e imagem é muito bem construído. Mesmo em meio ao peso do conteúdo, a leitura flui com naturalidade. 

O final me pareceu um pouco anticlimático, mas isso não diminui o impacto do livro — até porque estamos falando de uma história real, que não se curva às expectativas de roteiro. 

Sem dúvida, uma das leituras mais marcantes do ano.

Tive o privilégio de conhecer o Luís na época da faculdade. Ele é uma pessoa incrível e que pratica boas ações com muita gentileza e entrega do seu melhor. Digamos que ele é uma pessoa que cultiva a semente para que a árvore cresça para todos...e isso fica explícito no livro. A sua escolha em atuar na linha de frente dos hospitais colocou sua vida em risco e mudou seus sonhos - em amplo sentido. A forma como a história é contada deixou a leitura bastante fluida, transportando ao leitor várias sensações ao longo do dia a dia no hospital de campanha. Os desenhos são muito bons e trazem leveza e choque na medida que a narrativa avança. Ter a perspectiva de um médico disposto a salvar vidas é enriquecidor pois, até então, a minha perspectiva era de uma pessoa comum que deveria ficar em casa. 

É uma leitura que vale muito à pena! É uma viagem e um registro em uma história recente por uma perspectiva única de quem esteve dentro do furacão num evento que transformou todas as nossas vidas. É história do Brasil, história de uma vida, histórias de várias vidas que se cruzaram numa época inesquecível.

Anos depois do fim da pandemia, li o seu relato (em formato de graphic novel) talvez mais pungente e duro. 

Dormindo entre cadáveres traz a realidade nua e crua de diferentes aspectos da pandemia: a fragilidade do sistema público de saúde do Brasil, especialmente das regiões menos ricas do país, e as suas consequências tanto para os que dele necessitaram naquele momento de calamidade pública (global), quanto para os que nele trabalharam para salvar vidas. 

O doutor Luís não passa a mão na cabeça de ninguém, não poupa detalhes com o fim de abrandar o choque, nem denota o protagonista da história de um heroísmo romântico. Não, neste livro vemos a sinceridade expressa nas falhas dos personagens (afinal, humanos), no cansaço físico e mental oriundos de uma situação extrema tensão, da espinhosa necessidade de decidir por uma ou outra vida, da corrosiva obrigação de comunicar a um parente a morte de um ente querido, etc. 

Um livro arrebatador, contado de uma maneira célere (levei algumas horas para ler tudo com calma), pois se utiliza de ilustrações, mas que requer estômago e contemplação para os leitores que, após o fim da leitura, têm a (quase) obrigação de parar, refletir, lembrar com dor e torcer para que nunca mais passemos por situação sequer semelhante ao da pandemia de COVID-19. 

Recomendo!


© 2025 Dormindo entre cadáveres
Página não oficial (sem fins lucrativos)
Desenvolvido por Webnode
Crie o seu site grátis! Este site foi criado com a Webnode. Crie o seu gratuitamente agora! Comece agora